domingo, 16 de junho de 2013

Texto elaborado por Claudia de Lima Mandu Ferraz de Arruda

 Catar feijão...
“Catar feijão se limita com escrever”, concordo plenamente com o poeta, talvez por circunstâncias diferentes. Vou explicar.
Foi no ambiente da cozinha de nossa casa, entre catar o feijão e lavar as verduras, temperos e cheiros inesquecíveis, que aprendi minhas primeiras letras. Papai trouxe meu primeiro livro. Era ilustrado com lindos pássaros:  Arara – A, Bem-te-vi – B , Canário – C ... Como eram lindos os pássaros! Mamãe com muita paciência ia fazendo com que eu copiasse as letras.  O papel era papel de pão. Foi realmente uma “alfabetização culinária”.
Tudo era alegre, íntimo e familiar. Entretanto meu primeiro dia de aula quebrou esta singeleza, transformando o aprendizado em algo impessoal, autoritário e rígido como era a D. Jane , minha primeira professora. Quis impressioná-la, quando mandou que escrevêssemos um determinado número de linhas com bolinhas, escrevi uma folha com todas as letras que havia aprendido e outra com vários números. Grande foi minha surpresa quando ela arrancou bruscamente as folhas, chamando-me de indisciplinada, desobediente e atrevida. Disse-me que fizesse apenas o que ela mandasse e do jeito que orientasse. Essa foi a primeira das muitas censuras que sofri na escola por gostar muito de escrever e me expressar livremente, mas nada disso conseguiu atrapalhar minha paixão pela leitura e escrita.

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